Viver é luta, mas o suicídio não é solução

Ontem eu conversava com um amigo sobre o fato de, algumas vezes, estarmos bem e outras nem tanto.

Falávamos sobre a necessidade de viver as situações de dualidade, coisas boas e coisas nem tão boas.

É como se a vida fosse um ciclo, uma grande roda de altos e baixos.

As impressões são muito pessoais, mas vamos ficando calejados conforme passamos pelas situações e sobrevivemos a elas.

Mas, infelizmente, nem todas as pessoas conseguem passar pelos maus momentos da vida sem sucumbirem ou até desistirem de tudo, até da vida.

Gosto de trazer essas discussões para o blog porque não basta trabalhar e estudar, é necessário cuidar da saúde emocional e se relacionar.

Acontece que algumas vezes, pensamos que tudo que temos que fazer é estudar e trabalhar, e quando não obtemos sucesso nessas ou em outras atividades, nos consideramos um fracasso.

Algo me deixou em choque, um estudante de  22 anos, aluno do curso de engenharia mecânica naval da FURG, desapareceu na cidade de Rio Grande/RS na sexta-feira, 16 de março.

Até então era um caso de desaparecimento, havia mobilização para encontrá-lo tanto em Rio Grande quanto em São Paulo – cidade de origem do rapaz.

A última vez que ele foi visto estava embarcando em um ônibus para a praia do Cassino.

Em entrevista durante o desaparecimento, a mãe disse que “Ele estava muito triste por conta do término de um relacionamento, não estava conseguindo estágio, fez várias entrevistas, ninguém chamava. Ele prestou um concurso, não conseguiu passar“.

Uma colega de curso relata “Ele estava estranho na sexta-feira, aéreo. Vinha apresentando problemas”.

O corpo do estudante foi encontrado na tarde de segunda-feira, dia 19 de março, nos molhes da Barra, na praia do Cassino.

O universitário foi para a praia do Cassino apenas com a roupa do corpo e o cartão do ônibus.

Tudo me leva a crer que ele estava desacreditado, depressivo, e totalmente sem esperanças.

Tão jovem, com um futuro pela frente, sucumbiu a um desses momentos ruins da vida.

Não é fácil, mas o suicídio também não é a solução.

Eu deixo aqui um alerta, vamos abrir os olhos, o desespero pode acometer qualquer idade, principalmente aquelas em que ocorrem grandes conflitos como: convivência social na infância e adolescência, durante a busca pela independência pessoal, saída da casa dos pais, frustrações e grandes perdas, inclusive a de perspectiva de vida.

É comum idosos cometerem o ato de suicídio por simplesmente acreditarem que não faz mais sentido viver.

Uma idosa moradora da minha cidade atirou-se do 9º andar do prédio comercial onde morava no centro da cidade no ano passado, isso chocou a muitos.

Já falei que a depressão é um mal silencioso, por isso é necessário estar atento.

Existem campanhas de auxílio para quem precisa orientação e não tem com quem falar ou não deseja falar com as pessoas próximas.

Por exemplo, o Centro de Valorização da vida realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo  de forma voluntária e gratuita todas as pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo. Basta discar 141.

Já escrevi sobre isso no post: Depressão: Mal silencioso

É possível prevenir, é possível ajudar e é possível sair dessa!

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16 comentários em “Viver é luta, mas o suicídio não é solução

    1. Exatamente, Alan, reflexões…
      É um caso tão sério que “segundo uma estimativa da Organização Mundial da Saúde, 883 mil pessoas se matam no mundo a cada ano. É mais gente do que todos os mortos em guerras, vítimas de homicídios e desastres naturais – coisas que, somadas, tiram 669 mil vidas por ano.”
      Fonte: Revista Super interessante.

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  1. Consideravelmente é um assunto complicado e que muitos não querem comentar. Acho que o mais importante a cada dia não é tratá-lo fazendo com que seja comum, porém tratá-lo com a abordagem certa e que possamos falar de depressão, suicídio (morte), como um assunto que podemos falar sem medo. Tudo não passa de como é nosso olhar sobre a vida e de como podemos fazer a diferença na vida das pessoas com simples atitudes. A depressão pode ser um mal, mas podemos ser o bem e abraçarmos a causa olhando para o nosso vizinho, irmão, mãe, filho, avó quem quer que seja mostrando que há sim uma saída. Depressão não escolhe cor, raça, etnia ou religião. ” Depressão dá em gente.”

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    1. Verdade, desde que comecei a conversar com as pessoas sobre depressão descobri que algumas (a maioria) tinha passado por isso na vida, mas em intensidades diferentes.
      De fato depressão dá em gente, falar sobre ela pode levar ajuda a quem precisa.
      Agradeço o teu comentário =)

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      1. Verdade… Quando alguém fala comigo, algo do tipo: ah você já teve? – Fala baixinho e com vergonha. Como se não pudéssemos falar sobre. Falar alivia. Abraços!

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