A palavra de ordem: Liberdade

“Estamos condenados à  liberdade” essa frase bateu fundo na minha alma, mas também não fez sentido algum no primeiro momento em que a ouvi durante uma aula de filosofia há uns sete anos. A frase é atribuída a Jean-Paul Sartre, filósofo existencialista.

Escutar isso no auge da juventude quando se está sedento pela liberdade pode soar como um belo ideal de vida. Mas com tamanha liberdade de escolha e variedade de opções fica difícil nortear-se.

Estar condenado à liberdade pode ser assustador, uma vez que você é totalmente responsável pelas suas escolhas, isso gera um sentimento de desamparo e insegurança. Esses sentimentos podem desencadear um medo paralisador em meio a tantas possibilidades.

Você poderá desejar não escolher!? Por outro lado, não escolher também seria uma escolha!?

Contraditório: medo e insegurança de um lado, liberdade e afirmação de outro.

Quando assume-se um compromisso com a liberdade e com as consequências dela, qualquer um é capaz de sentir o peso de grandes responsabilidades. Estar ciente ou não disso, de forma alguma o eximirá de suas obrigações, ficando você condenado a sua própria liberdade.

Mas, pensando assim, será que é possível ser livre levando em consideração tudo que foi dito a respeito da responsabilidade? Até que ponto vai a liberdade?

               “O homem é livre; mas ele encontra a lei na sua própria liberdade.”                                                                                                            (Simone de Beauvoir)

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16 comentários em “A palavra de ordem: Liberdade

  1. A meu ver a Liberdade como Valor essencial e prioritário só faz sentido se estiver inserida no contexto dos outros Valores Humanos. É por essa razão que se torna primordial. Caso contrário, acabamos assistindo a fenómenos, numa Sociedade que se pretende saudável, de desenvolvimento de núcleos malignos que acabam destruindo TUDO – os Valores Sociais e a LIBERDADE.
    Nenhum Valor Humano é um Valor absoluto. É sempre relativo a um Ser da nossa comunidade. A Liberdade como o Amor são Valores primordiais do Ser Humano.
    A Liberdade de cada UM não tem uma dimensão infinita mas o seu pensamento e consciência podem ultrapassar várias dimensões, quando se transformam em criatividade e inovação.
    A liberdade que se utiliza para destruir a Liberdade não é um Valor, mas sim um Antivalor.

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    1. Com certeza, o contexto da LIBERDADE junto a outros valores humanos são indissociáveis.
      Não podemos confundir a LIBERDADE com a LIBERTINAGEM que se refere ao uso da liberdade sem o bom senso e respeito.
      Agradeço a contribuição nessa discussão.

      Curtido por 2 pessoas

  2. Respondo com a voz do Pequeno Príncipe: você é responsável por tudo aquilo que cativas… Existencialismo puro, risos. Na minha opinião a liberdade é muito mais que uma escolha pessoal, nela envolvem fatores como cultura, educação, valores, logo ficamos presos nas leis (regras) para nos condicionar, como disse Simone de Beauvoir. Então, não somos tão livres o quanto imaginamos. Vixe, fui clara?

    Curtido por 2 pessoas

    1. Claríssima! Adoro o Pequeno Príncipe.
      Ao pensar e redigir o texto “A palavra de ordem: Liberdade” só me vinham perguntas.
      Agradeço pelo teu comentário que ampliou a visão a respeito do tema, isso me faz perceber as coisas com maior clareza.

      Curtido por 2 pessoas

  3. Concordo em gênero, número e grau com a Cris e o Sá Almeida. A liberdade é restrita e precisa ser assim para conseguirmos viver em sociedade. Concordo que ela venha acompanhada de um medo paralisante. Para quem sofre de ansiedade, isso é ainda mais claro. Para quebrar essa sensação é necessário muita disciplina e horas de reflexão. Rs

    Curtido por 1 pessoa

  4. Bastante está dito aqui sobre o tema, mas há ainda algo que eu quero pontuar, e espero não desviar o foco.
    Ainda que soe um contrassenso, liberdade me parece ter mais a ver com não escolher do que com fazer escolhas. Me refiro aqui às grandes questões humanas, de preferência, para fazer mais peso, do que às superficialidades cotidianas, embora essas também pudessem ter parte na discussão. Penso isso porque o problema de escolher banana em vez de maçã parece bobo perto de falar ou não a verdade quando há um relacionamento em risco, por exemplo.
    Quando escolher é necessário, imperativo? Quando, e somente quando, a mente está confusa, em conflito. Uma mente em conflito não pode estar livre. Uma consciência confusa é propriamente a definição do que se busca superar com o que se entende por liberdade. Liberdade é não ter conflitos. Ter conflitos e poder tomar uma decisão X ou Y em relação a eles não me parece liberdade, embora eu sinta que seja precisamente isso o que se costuma chamar de liberdade. Isso, me parece claro, configura justamente o oposto, principalmente quando se tem nítido o fato de que qualquer deliberação humana é baseada na memória, nas experiências, no conhecimento, isto é, nos medos, nos desejos, e isso de modo geral representa o que é velho, o que passou, o que está morto – ilusão. Assumir que fazer escolhas é sinônimo de liberdade é o mesmo que dizer que liberdade é estar limitado pelo passado, pelas memórias, por ilusões, e eu não consigo ver como isso tenha cabimento, “liberdade é estar preso”. Um arbítrio livre é uma contradição filosófica.
    Assim, liberdade é justamente o fim das deliberações. É quando o ser simplesmente é, e não escolhe, como uma criança, que tem a mente vazia. É quando não se está mais confuso, e se vive, simplesmente vive, como qualquer coisa que vive, fazendo o que quer fazer sem se permitir o conflito. Não por escolha, como numa resistência esforçada para vencer a tentação de não entrar em conflitos, mas por disciplina, por ter percebido algo e essa percepção ter transformado o ser, da mesma forma que não se abre a casa a qualquer um que bate à porta, não porque pensou, avaliou e decidiu, mas por certa prudência que surge espontaneamente.
    Não é liberdade que a maioria das pessoas deseja efetivamente, mas, como disse a Melissa, libertinagem. É dissimular pelo vício de prazer, gerar o conflito e esperar que alguém o resolva. O desejo da irresponsabilidade é o que tem sido, aparentemente há séculos, vendido como busca pela liberdade. E muitos aproveitadores tem ganhado com isso.

    Curtido por 1 pessoa

      1. E eu agradeço a você por conduzir um assunto de tão grande importância à mente humana. Peço que continue, que provoque o desejo apaixonado pela paz e a boa vida. Uma mente apaixonada pela vida há de cultivá-la com amor!

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